domingo, 2 de agosto de 2015

Pequenos textos


Untitled

O maravilhoso espectáculo que era o pôr do sol já estava a acabar para sua tristeza. 
Tinha tirado o dia só para si e as horas tinham voado com uma rapidez que lhe dava tonturas agora que pensava nisso. De manhã acordara e depois do habitual duche decidiu que não tinha de ser um domingo igual a todos os outros. Por isso vestiu o biquíni e um vestido que já não vestia quase há um ano, mas que sempre adorara, pegou numa maçã, no livro que já habitava a sua mesinha de cabeceira há um mês mas que mal fora lido e nas chaves e saiu porta fora. Sem qualquer rumo, sem relógio e até sem o telemóvel.
Foi de carro até à sua praia preferida, que era aquela que maior parte das pessoas desconhecia e que ela encontrara por acaso com a família muitos anos antes. Àquela hora estava completamente vazia porque grande parte das pessoas ainda se encontravam envoltas num sono com ou sem sonhos. Como tinha sempre no carro o seu saco de praia e o chapéu de sol levou-os consigo e depois de se instalar confortavelmente numa pequena duna retirou o livro e aventurou-se pelas suas páginas onde se escondia um outro universo paralelo ao seu mas que a fazia viajar horas e horas a fio. Quando decidiu fazer uma pausa comeu por fim a maçã e deitou-se a apanhar sol enquanto este ainda não a queimava muito, já que sol a mais não a cativava nem um bocadinho. Mergulhou nas ondas, apanhou conchas, leu mais um pouco mas quando a praia já tinha mais movimento e o calor a atormentava decidiu ir almoçar. Durante a tarde passeou-se pelas ruas estreitas e pelas pequenas lojas daquela vila costeira onde tinha passado todos os Verões durante a sua infância e grande parte da adolescência e que conhecia ainda como a palma da sua mão.
Quando o sol se começava a pôr foi até ao farol e sentou-se a observar a rebentação das ondas como tantas vezes tinha feito noutros momentos em que tudo estava bem ou mesmo naqueles em que tudo ameaçava desmoronar-se. Reviveu na sua memória momentos que sabia que não iam voltar mas que iria sempre acarinhar no seu coração. O dia tinha passado a correr por si, mas podia ficar ali só mais um pouco a observar tudo e libertando as lágrimas das recordações que largavam agora os seus olhos e quem sabe talvez a brisa as fizesse chegarem ao mar...


Espero que tenham gostado deste pequeno texto (fictício) que aqui vos deixo com a promessa de mais alguns do mesmo género se tiverem gostado (:

Love, S.

7 comentários:

  1. Que dia fantástico ^^ Às vezes, só a companhia de nós próprios é suficiente =) Gostei =)

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  2. Muito bonito esse texto =) Aliás, gostei muito do te blog também. Acho que vou começar a passar algum tempo por cá =)
    *****

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  3. Tenho memorias parecidas às da tua protagonista, e este texto deu-me vontade de fazer o que ela fez. Ter um dia calma e sereno, mas arrebatador ao mesmo tempo. Bom texto S., muito bom.
    R: Adere, e quando aderires diz-me porque eu também gosto de ver os registos de quem adere!

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"Sei que só há uma liberdade: a do pensamento."
-Antoine de Saint-Exupéry